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Paraná prepara resposta a eventos climáticos com gabinetes locais coordenados pelos Bombeiros

A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) segue alinhando a preparação da resposta aos eventos climáticos severos em conjunto com os órgãos estaduais e municipais. Uma das medidas é a estruturação dos Gabinetes de Gestão Integrada Locais (GGI Locais), coordenados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) e preparados para serem ativados nos municípios em que a situação exigir a atuação conjunta de diferentes instituições. A iniciativa está prevista na Resolução nº 562/2026 da SESP.

O planejamento ganha ainda mais importância diante da previsão do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) de que os efeitos do fenômeno El Niño permaneçam ativos no Estado até o primeiro trimestre de 2027, classificados na categoria “muito forte” até março. A preparação busca aprimorar a capacidade de resposta das instituições, especialmente em situações que afetam simultaneamente a população, a infraestrutura e os serviços essenciais.

COORDENAÇÃO LOCAL – Os GGI Locais funcionam como espaços de articulação operacional nos municípios atingidos por desastres. A coordenação cabe ao comandante da unidade operacional do CBMPR responsável pela área afetada, que reúne representantes regionais dos órgãos necessários à resposta. A estrutura pode ser ativada tanto em cidades que contam com quartel dos bombeiros quanto naquelas que não possuem uma unidade instalada.

A ativação ocorre quando as consequências de um evento climático, ou seu potencial de impacto, exigem uma resposta integrada. O critério não se limita ao número de chamados recebidos pelos bombeiros, considera também problemas que demandam a atuação de diferentes instituições, como interrupções no fornecimento de energia e água, danos a pontes e estradas, necessidade de resgate, evacuação de áreas e atendimento a pessoas desalojadas.

Uma vez acionados, os gabinetes permitem concentrar informações sobre a situação, identificar as necessidades prioritárias e combinar recursos e capacidades dos órgãos envolvidos. O trabalho ocorre em articulação com o comando-geral do CBMPR e, se necessário, o Gabinete de Gestão Integrada estadual pode ser ativado também.

A estrutura estadual reúne gestores e representantes dos órgãos no âmbito do Estado, enquanto os gabinetes locais aproximam os responsáveis regionais da realidade do município atingido. A atuação integrada permite que as necessidades identificadas no território sejam comunicadas e acompanhadas no nível estadual, quando houver demanda por reforços ou recursos adicionais.

Para o secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, o planejamento prévio é fundamental para fortalecer a capacidade de atuação do Estado diante de eventos climáticos severos. “Precisamos estar em prontidão para responder a situações que podem afetar diferentes municípios e comprometer serviços essenciais. A integração entre as instituições fortalece a capacidade do Paraná de enfrentar esses desafios e de trabalhar para proteger a população e recuperar a normalidade nas áreas atingidas”, afirma.

INTEGRAÇÃO NA PRÁTICA – A resposta a um desastre pode envolver tarefas simultâneas e interdependentes. Enquanto o CBMPR realiza salvamentos e atende ocorrências de sua competência, a Polícia Militar do Paraná (PMPR) pode atuar na segurança de áreas evacuadas e na proteção de locais deixados pelos moradores. Órgãos rodoviários, como o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), podem contribuir para a organização do trânsito, a sinalização e a gestão dos acessos, conforme suas atribuições.

As cinco forças estaduais de segurança pública — CBMPR, PMPR, Polícia Civil do Paraná (PCPR), Polícia Penal (PPPR) e Polícia Científica (PCIPR) — integram esse esforço, respeitadas as competências de cada instituição.

Um exemplo de apoio à recuperação das áreas atingidas ocorreu em Laranjeiras do Sul, na Região Centro-Sul do Estado. A Sesp mobilizou a utilização de mão de obra de 27 pessoas privadas de liberdade para atuar na reconstrução e recuperação de escolas e áreas afetadas pelo forte temporal registrado no município. A iniciativa demonstra que a resposta aos desastres pode envolver, além do atendimento emergencial, ações para recuperar estruturas e serviços importantes para a comunidade.

Além das forças de segurança, deverão integrar obrigatoriamente os GGI Locais representantes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), por meio das Regionais de Saúde; do DER; da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar); da Companhia Paranaense de Energia (Copel); do Instituto Água e Terra (IAT); da Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), por meio de seus núcleos regionais, especialmente nas ações de assistência social; e da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec), por meio dos Núcleos de Apoio Regional (NARs).

Deve participar, ainda, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), especialmente nas questões relacionadas às estradas rurais. Conforme a natureza e os impactos do evento, também poderão ser mobilizados representantes do Exército Brasileiro e da PRF, além de outros órgãos municipais, estaduais e federais, concessionárias de serviços públicos e instituições cuja atuação seja necessária.

O comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, explica que a organização dos gabinetes permite que os órgãos conheçam as necessidades prioritárias e identifiquem como suas capacidades podem contribuir para a resposta. “Em uma situação complexa, é fundamental que cada instituição saiba quais são as demandas mais urgentes e de que forma pode ajudar. Quando os responsáveis se reúnem para avaliar o cenário e alinhar as ações, fica mais fácil identificar os recursos disponíveis, evitar esforços duplicados e direcionar o apoio para onde ele é mais necessário”, destaca o comandante.

PREPARAÇÃO ANTECIPADA – A organização dos GGI Locais faz parte de um conjunto de medidas de preparação que vem sendo desenvolvido pelo CBMPR em conjunto com outras instituições. Em julho, uma reunião no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR) reuniu órgãos envolvidos na resposta a eventos climáticos para apresentar o planejamento e alinhar capacidades operacionais para situações como enchentes, alagamentos, deslizamentos e outros eventos extremos.

Na sequência, foram realizadas capacitações para aprimorar a organização das operações e o alinhamento de procedimentos entre as instituições. Em agosto, um simulado de mesa reuniu representantes de diferentes órgãos para discutir cenários progressivos de desastre, testar fluxos de comunicação e exercitar a tomada de decisão e a mobilização de recursos.

A atividade permitiu que os participantes conhecessem melhor as capacidades e os procedimentos de cada instituição, além de discutir como organizar uma resposta conjunta diante de situações hipotéticas. O objetivo é otimizar este tempo de resposta em uma emergência real com decisões rápidas e coordenadas.

A preparação operacional inclui ainda a formação de novos integrantes da Força-Tarefa de Resposta a Desastres do CBMPR, concluída na última sexta-feira (23), e a aquisição de uma nova base de comando e operações, que amplia a estrutura disponível para organizar o trabalho das equipes em campo.

ATENDIMENTOS – Entre 1º de agosto e 20 de outubro de 2026, o CBMPR contabilizou 1.565 atendimentos únicos em categorias potencialmente relacionadas a impactos meteorológicos. Desse total, 1.120 foram registros de corte e poda de árvores, 280 de busca e salvamento e 165 classificados como desastres.

O levantamento reúne ocorrências que podem estar associadas a diferentes impactos meteorológicos, mas não comprova que todos os atendimentos tenham sido provocados pelo El Niño. Contudo, os dados ajudam a dimensionar a variedade das demandas enfrentadas pelas equipes e a importância de preparar uma resposta que envolva diferentes órgãos, de acordo com as necessidades de cada situação.

PREVENÇÃO E ALERTAS – O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná orienta a população a acompanhar os alertas oficiais e adotar medidas preventivas diante de riscos de alagamentos, inundações e deslizamentos:

– Receba alertas da Defesa Civil: envie o CEP por SMS para o número 40199 para se cadastrar no serviço de avisos

– Prepare uma bolsa de emergência: mantenha documentos, roupas, medicamentos de uso contínuo e outros itens essenciais prontos para levar caso seja necessário sair de casa

– Não espere a água entrar na residência: diante de risco de inundação, procure um local seguro e siga as orientações das autoridades

– Observe sinais de instabilidade em encostas: movimentações do terreno, ruídos incomuns e outras alterações podem indicar risco. Em caso de suspeita, afaste-se da área e procure um local seguro

– Siga as orientações das equipes de emergência: respeite as interdições e deixe áreas de risco quando houver determinação dos bombeiros ou da Defesa Civil.

Em situações de emergência, ligue para o Corpo de Bombeiros no 193. A prevenção e a informação ajudam a reduzir riscos e proteger vidas. A população deve priorizar a própria segurança e seguir as orientações dos profissionais que atuam no atendimento.

Foto: Paulo Vieira/SESP